Bem-vindo ao site do Norte de Mato Grosso, Peixoto de Azevedo/MT, quinta 23 de maio 2019
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Cidades - Alta - Floresta

Durante manifesto, garimpeiros denunciam descaso de usina em MT

Garimpeiros da região de Alta Floresta reclamam a falta de atenção de um empreendimento hidrelétrico no rio Teles Pires.

O grupo tem a atividade legalizada desde 2010 através do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) com todas as licenças de Operação e Ambiental, contando ainda com a Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), a Cooperalfa - Cooperativa de Pequenos Mineradores de Ouro e Pedras Preciosas de Alta Floresta - possui subsolo registrado para a exploração em toda a região.

Atualmente com cerca de 2 mil cooperados, alguns problemas foram identificados com o início das construções de barragens hidrelétricas no rio Teles Pires. O principal deles é o nível da água, que subiu muito inviabilizando o mergulho. Conforme as responsabilidades do empreendimento, apontadas em reuniões, todos que fossem de alguma forma prejudicados com a obra deveriam ser indenizados, no entanto, a atividade garimpeira não é reconhecida pelo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), e desta forma os garimpeiros não conseguem ser ressarcidos de seus prejuízos.

“A construção da hidrelétrica veio, aumentou a água, represou toda a nossa área, a gente vem aguardando, tentou vários contatos com a empresa São Manoel e até o momento não obtivemos nenhum êxito, nenhuma resposta”, apontou Darcy Winter, presidente da Cooperalfa, frisando que “Nós só obtivemos até hoje, dá para se dizer, um descaso mesmo da empresa com a nossa atividade garimpeira”.

Cerca de 100 homens trabalham diariamente nestas balsas, tirando dali o sustento de suas famílias. Os valores arrecadados com a atividade são gastos no município de Alta Floresta principalmente, valores que contabilizados, promovem um giro de pouco mais de R$ 1,5 milhões por mês. Atualmente com as balsas paradas, 15 no total, os prejuízos começam a onerar os garimpeiros.

“O nosso prejuízo é um pouco avançado porque a gente tem na média cinco mergulhadores em cima de uma balsa, e com essas atividades paradas, o prejuízo para nós e bastante avançado. Estamos tentando uma negociação com a usina São Manoel por isso estamos parados para ver se consegue uma negociação amigavelmente, porque está ficando difícil”, destacou a balseira Dorvalina Ferreira.

Um grupo com pouco mais de 30 homens seguiu em voadeiras por cerca de 40 quilômetros no rio até as proximidades da barragem, com cartazes de protestos nas mãos, buscando reconhecimento e uma solução, a forma encontrada para pressionar o empreendimento. “Nossa atividade é lícita, nós gastamos tanto dinheiro quanto eles gastam para o licenciamento da obra deles, nós também gastamos pra legalizar a nossa atividade que hoje está inviabilizada”, apontou Winter.

Seguindo para as proximidades da barreira, os garimpeiros foram interceptados pelo responsável pela segurança do empreendimento, que logo retornou com o homem apontado como Diretor de Riscos. Informando não ter autorização para dar entrevista, Pedro Paulo afirmou que estava no local para ouvir os anseios dos garimpeiros e que estes seriam levados para os responsáveis.

Sem respostas novamente, o grupo retornou ao ponto onde as balsas estão paradas, com a proposta de um novo manifesto, desta vez mais rígido, caso a empresa não responda as solicitações. “O garimpeiro está sendo tratado de forma totalmente inversa do que manda a lei. A mesma lei que autorizou eles a construir essa usina, é a mesma lei que cobrou caríssimo de nós para termos o direito de explorar o ouro. São mais de 50 pais de família aqui que dependem dessa nossa atividade”, finalizou Darcy Winter.

Até o fechamento desta edição, a Empresa de Energia São Manoel, responsável pela construção da Usina Hidrelétrica (UHE) São Manoel, na divisa entre os estados de Mato Grosso e do Pará, não enviou nota a reportagem conforme informado, através do diretor de risco, que faria.

O garimpo

A atividade garimpeira teve início na região de Alta Floresta ainda na década de 70. A corrida do ouro registrada no início dos anos 80 provocou um grande fluxo de migração para as jazidas.

Nessa época houve muita desordem e atritos entre colonizadores e garimpeiros, contudo, um dos setores que mais se beneficiou da atividade garimpeira foi o comércio, crescendo e desenvolvendo suas atividades. A cidade que crescia 2% ao ano saltou para 12%. Chegou a ter 140 mil habitantes. A riqueza criada com o garimpo, 50 toneladas de ouro/ano, entretanto foi aparente, pois resultou em danos ao meio ambiente.

Atualmente a atividade é exercida principalmente em balsas de mergulho, a realidade foi transformada. “Sem poluições, nós temos todo o cuidado, e até um ciúme do rio, porque ele é a ‘nossa mãe’. Tudo que hoje nós temos é tirado dele”, destacou Darcy Winter. O ouro retirado de forma bruta no leito do rio, é transportado e refinado em laboratório em Alta Floresta, assim evitando qualquer tipo de contaminação ao rio e meio ambiente.

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